"Trago a
Trinidad e Tobago a gratidão eterna de nosso povo"
• Afirma o presidente Raúl
Castro, em sua visita a
esta irmã nação caribenha
Yaima Puig
Meneses, enviada
especial
Fotos:
Estudio Revolución
PORTO ESPANHA.— Pouco antes das 10h
(hora de Cuba), da quarta-feira, 7 de dezembro, o
primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e
presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros,
general-de-exército Raúl Castro Ruz, chegou a
Trinidad e Tobago, para iniciar sua primeira visita
oficial a este irmão país caribenho.
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Durante as conversações com a
primera-ministra Kamla Persard-Bissessar. |
Porto Espanha acolheu Raúl com uma
chuva a cântaros; também com uma hospitalidade
incomparável. Enquanto Raúl descia da aeronave a
chuva acirrou, mas isso não impediu que a cerimônia
de boas-vindas se desenrolasse tal como tinha sido
prevista. Na esplanada, a tropa já estava formada e
ao pé da escada o presidente cubano era esperado
pelo presidente da República de Trinidad e Tobago,
George Maxwell Richards; a primeira-ministra, Kamla
Persard-Bissessar; e o ministro dos Assuntos
Exteriores e Comunicações, Surujrattan Rambachan.
Ao recebê-lo, a primeira-ministra
lamentou a insistente chuva da manhã, ao qual Raúl
respondeu com sua habitual sinceridade: "bem-vinda a
chuva, má é a seca", sorriu. Assim, depois que o
presidente trinitário lhe apresentasse o chefe do
Estado Maior da Defesa, avançaram por um tapete
vermelho até a plataforma preparada para a saudação
oficial. Entretanto, as câmeras de televisão e
fotográficas flagram cada gesto, cada detalhe...
desta inusual, mas cálida recepção.
Montes de guarda-chuvas foram
abertos para cobrir os mandatários, mas a chuva era
tão forte que ninguém conseguiu escapar dela. O
momento solene continua, após colocados na
plataforma, a banda de música toca os hinos
nacionais de Cuba e Trinidad e Tobago, ao tempo que
são disparadas 21 salvas de artilharia.
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A
cerimônia de boas-vindas teve lugar sob
uma chuva torrencial. |
A seguir, o comandante da Guarda de
Honra e o chefe do Estado Major acompanharam o
presidente cubano a passar revista à tropa,
perfeitamente formada, apesar da insistente chuva.
Depois, avançam até um salão do aeroporto
Internacional Piarco, onde o presidente George
Maxwell Richards apresenta os membros de seu
gabinete, assim como outros convidados, e
cumprimenta a delegação cubana, formada pelo vice-presidente
do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz; o
chanceler Bruno Rodríguez Parrilla e o titular do
Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro,
Rodrigo Malmierca Díaz.
Depois, veio o percurso da caravana
até o hotel Kapok, distante uns 26 quilômetros do
aeroporto, mas a só uns poucos minutos do centro da
cidade. A chuva não parou um instante. Durante meia
hora, a delegação avançou pela extensa auto-estrada
e, na medida em que se aproxima à cidade, começam a
aparecer a ambos os lados, casinhas coloridas nos
cerros; também modernas edificações e moradias de
cores tênues, com telhados de duas águas, preparados
para fazer face às constantes chuvas que abençoam
estas terras.
Trinidad e Tobago são duas ilhas,
mas ambas conformam uma nação caribenha, embora
tenham histórias diferentes. Trinidad foi descoberta
por Cristóvão Colombo, durante sua terceira viagem à
América, em 1498, enquanto Tobago ficou isolada e
habitada por índios caribes, até a chegada dos
holandeses, em 1632.
Tal como outras colônias da região,
ambas foram palco de inúmeras invasões, por parte de
holandeses, franceses e ingleses, até que,
finalmente, foram cedidas à Inglaterra, em 1802,
tornando-se oficial sua condição de colônia
britânica, em 1814. Depois de um processo gradual de
certa autonomia, conseguiu sua independência em 31
de agosto de 1962.
Inicialmente, a base de sua economia
local era o açúcar, embora, aos poucos, começasse a
ser substituída pelo petróleo, que para 1940 se
converteu na principal atividade econômica do país.
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O
presidente cubano dialoga com a
primeira-ministra. |
Situada no sul do mar Caribe, a
República de Trinidad e Tobago tem uma extensão
territorial de uns 5 mil quilômetros quadrados e
apenas 1,3 milhão de habitantes. A língua oficial é
o inglês, embora sejam reconhecidas outras como o
francês, espanhol, crioulo, hindi e chinês.
Porto Espanha é uma cidade muito
limpa, agora engalanada com inúmeros enfeites
próprios da época do Natal. Assim também recebeu o
hotel Kapok a delegação cubana presidida pelo
primeiro-secretário do Comitê Central do Partido.
Na tarde, o presidente cubano e a
delegação, viajaram à Residência Knowsley, a poucos
minutos do hotel, onde foram recebidos pelo
presidente George Maxwell Richards. Antes de
iniciarem as conversações oficiais, Raúl assina o
livro de visitantes no qual, com traço firme, deixa
constância de sua histórica visita a este país irmão:
"Trago a Trinidad e Tobago, junto à saudação
fraternal do povo cubano, a gratidão eterna pelas
relações plenas que junto a Jamaica, Barbados e
Guiana, estabeleceram há 39 anos".
Lembra, assim, aquele dia histórico
de 8 de dezembro de 1972, no qual esses quatro
estados, decidiram estabelecer vínculos diplomáticos
com nosso país, isolado do resto das nações por
imposição dos Estados Unidos e da Organização dos
Estados Americanos (OEA), desde 1962.
Depois desse encontro, o presidente
cubano, acompanhado do presidente trinitário,
colocou uma oferenda floral no monumento do Parque
Memorial, para render homenagem a todos aqueles que
serviram e à memória daqueles que morreram durante a
Primeira e Segunda Guerras Mundiais.
Um pequeno chuvisco continua
colorindo a tarde trinitária, enquanto o general-de-exército
se dirige para o Centro Diplomático, lugar onde teve
conversações oficiais com a primeira-ministra, Kamla
Persard-Bissessard, quem é, aliás, a primeira mulher
a ocupar esse cargo na história de Trinidad e
Tobago.
Ali, Raúl também assinou o livro de
visitantes. Em suas linhas reconheceu com satisfação,
o grau atingido nas relações com esta nação
caribenha e ratificou, em nome de Cuba, a disposição
de continuar desenvolvendo-as, tal como com toda a
Comunidade do Caribe.
Mais uma vez, o presidente cubano
agradeceu à primeira-ministra a atitude assumida por
seu país, Jamaica, Guiana e Barbados, em 1972, ao
estabelecerem relações diplomáticas com nossa nação,
gesto que valorizou como um grande apoio de
incalculável valor.
Igualmente, lembrou que durante a 1ª
Cúpula Cuba-Caricom, efetuada em 8 de dezembro de
2002, em Havana, foi instituída esta data como o Dia
Caricom-Cuba, em reconhecimento ao valor dessas
quatro nações. Com esta determinação, há 39 anos,
abriu-se o caminho, ademais, para que os restantes
territórios caribenhos desenvolvessem laços de
amizade e colaboração com Cuba.
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Raúl no encontro com o presidente George
Maxwell Richards. |
Ao anoitecer, o líder cubano e a
delegação assistiram a um jantar oficial oferecido
pelo presidente de Trinidad e Tobago, na Residência
Knowsley. Antes de concluir, ambos os mandatários
proferiram umas palavras finais, nas quais se
destacou a transcendência histórica da decisão
adotada pelos quatro países caribenhos, em 8 de
dezembro de 1972. Em sua intervenção, Raúl ressaltou
que Cuba continuará lutando junto a todos os países
do Caribe, para consolidar a amizade e integralidade
que caracterizam suas relações; ao finalizar,
brindou por nossa Comunidade do Caribe, por Trinidad
e Tobago e por Cuba.
Avança a noite em Porto Espanha e o
buliço na cidade não pára. Na academia nacional de
Artes Cênicas, lugar onde teria lugar, em 8 de
dezembro, a 4ª Cúpula Caricom-Cuba, aprontam-se os
detalhes para iniciar as jornadas de trabalho. Mais
uma vez, a integração seria um ponto fundamental na
agenda dos países caribenhos. Mais uma vez nossos
povos se juntaram para intercambiarem sobre as
preocupações comuns e ampliarem as relações, em meio
de uma crise econômica global, cujo alcance e
profundidade ainda são impossíveis de prever.
Por isso, tal como disse o
presidente cubano, na cerimônia de inauguração da 3ª
Cúpula Cuba-Caricom, efetuada em 2008, na cidade de
Santiago de Cuba: "Em tais circunstâncias, cobram
maior relevo os compromissos que temos sabido
construir em anos recentes, onde a cooperação e a
solidariedade constituem os alicerces de nossas
relações".