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A globalização neoliberal durará apenas décadas - Fidel |
Discurso de encerramento pronunciado por Fidel Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros e Primeiro-Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, no Encontro Internacional de Economistas, realizado no Palácio das Convenções, em 22 de janeiro de 1999, «Ano do 40º Aniversário da Revolução»
(Tradução da versão taquigráfica do Conselho de Estado)
Prezados delegados, observadores e convidados:
Já que vocês me concedem esta honra, não vou proferir um discurso; só tentarei fazer uma exposição. (Aplausos).
Fá-lo-ei em linguagem de telex e em parte, será um diálogo comigo próprio.
Mês de julho. Encontro de Economistas Latino-Americanos e do Caribe. Temas: grave crise econômica mundial à vista. Necessidade de convocar uma reunião internacional. Tema central: a crise econômica e a globalização neoliberal.
Amplo debate.
Todas as escolas.
Confrontar argumentos.
Trabalhou-se nesse sentido.
Redução máxima possível de despesas para todos.
Trabalhar de manhã, à tarde e à noite.
Excepcional seriedade e disciplina reinaram durante estes cinco anos.
Todos falamos com absoluta liberdade. Conseguimos. Estamos agradecidos.
Aprendemos muito ouvindo vocês.
Grande diversidade de idéias. Extraordinária mostra de espírito de estudo, talento, clareza e beleza de expressão.
Todos temos convicções.
Todos podemos influenciar-nos uns aos outros.
Todos, a longo prazo, chegaremos a conclusões similares.
Minhas convicções mais profundas: a incrível e inédita globalização que nos ocupa é um produto do desenvolvimento histórico; um fruto da civilização humana; teve lugar em um brevíssimo período de não mais de três mil anos, na longa vida de nossos antecessores sobre o planeta. Já eram uma espécie completamente evoluída. O homem atual não é mais inteligente que Pericles, Platão ou Aristóteles, embora ainda não saibamos se é suficientemente inteligente para resolver os complexíssimos problemas de hoje. Estamos apostando em que pode consegui-lo. Sobre isso tratou o nosso encontro.
Uma pergunta: Trata-se de um processo reversível? A minha resposta, que eu dou a mim mesmo, é: não.
Com que tipo de globalização contamos hoje? Com uma globalização neoliberal. É assim como muitos de nós a chamamos. É sustentável? Não. Poderá sobreviver por muito tempo? Não. É questão de séculos? Categoricamente, não. Durará apenas décadas? Sim, apenas décadas. Porém, mais tarde ou mais cedo, deixará de existir.
Considero-me uma espécie de profeta ou adivinho? Não. Sei muito de economia? Não. Quase nada. Para afirmar o que eu disse, basta saber adicionar, subtrair, multiplicar e dividir. Isso é aprendido pelas crianças no ensino primário.
Como vai ser a transição? Não sabemos. Por meio de amplas revoluções violentas ou grandes guerras? Parece improvável, irracional e suicida. Por meio de profundas e catastróficas crises? Infelizmente, é o mais mais provável, quase, quase inevitável, e passará por muitas e diferentes vias e formas de luta.
Que tipo de globalização será? Só poderia ser solidária, socialista, comunista, ou como vocês quiserem chamar-lhe.
A natureza, e com ela, a espécie humana, dispõem de muito tempo para sobreviver à ausência de uma mudança semelhante? De muito pouco. Quem serão os criadores desse novo mundo? Os homens e mulheres que povoam o nosso planeta.
Quais serão as armas essenciais? As idéias, as consciências. Quem as incutirão e tornarão invencíveis? Vocês. Trata-se de uma utopia, de mais um sonho entre tantos outros? Não, pois é objetivamente inevitável e não há alternativa. Já foi sonhado não há muito tempo, só que talvez, prematuramente. Como disse o mais brilhante dos filhos desta Ilha, José Martí: «Os sonhos de hoje serão as realidades de amanhã».
Concluí a minha intervenção. Agora, fico à disposição de vocês, se desejarem fazer alguma pergunta.
(Ovação).
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