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Legisladores associados à FNCA
são maiores aliados do narcotráfico

Afirmou o presidente Fidel Castro em Cienfuegos
Denuncia manobras para desacreditar os atletas cubanos em Winnipeg

Como vocês sabem, em Junho de 1989, o nosso país viu-se envolvido no amargo processo penal da Causa número 1, como conseqüência da conduta irresponsável e inconcebível de vários companheiros, alguns deles com méritos induvitáveis e antecedentes revolucionários, que puseram em risco não apenas o prestígio e a enorme autoridade moral adquirida em décadas de heróicas lutas por instituições tão vitais para a Revolução como as Forças Armadas Revolucionárias e o Ministério do Interior, mas pela própria segurança do país. O fato não tinha precedentes. O julgamento, público e absolutamente transparente, desenvolveu-se na presença dos meios de divulgação massiva. Nunca um julgamento teve tanta publicidade. Até o próprio Conselho de Estado debateu a apelação perante as câmaras da televisão aos olhos do país e do mundo. Os pontos de vista e raciocínios dos seus 29 membros foram expostos. O acordo foi unánime. A sanção tinha que ser e foi exemplar.

Durante o processo foi analisada a situação que nos criavam as incesantes viola-ções do espaço aéreo cubano. Sobre o nosso longo e estreito país cruzam três corredores aéreos utilizados cada dia por uma média de 277 aviões de linhas regulares ou outros, normalmente autorizados quando cumprem o requisito de solicitação prévia. Todavia, eram freqüentes os vôos irregulares, a baixas e medianas alturas, sem aviso prévio nem autorização nenhuma. Esta era precisamente a modalidade utilizada pelas aeronaves dos narcotraficantes. Como regra, desobedeciam qualquer ordem das autoridades aéreas e se burlavam em pleno dia de qualquer avião interceptor, com conhecidos movimentos de asas, nos poucos minutos que se necessitam para atravessar a ilha de Sul para Norte. Uma vez no mar, lançavam as suas cargas de drogas venenosas, dentro e fora das 12 milhas. Era necessária uma advertência enérgica.

No dia 24 de Junho de 1989 é publicada uma nota do MINFAR (Ministério das Forças Armadas Revolucionárias) sobre corredores aéreos onde é anunciada a decisão de disparar sobre qualquer avião que penetrasse ilegalmente no nosso espaço aéreo e se negasse a obedecer a ordem de aterragem para ser inspecionado.

No dia 25 de Junho, o chefe da SINA (Repartição de Interesse dos Estados Unidos em Cuba) entregou ao MINREX (Ministério das Relações Exteriores) uma mensagem na forma conhecida como Non Paper, a dizer que o governo dos Estados Unidos recebia com agrado qualquer acção legítima da parte do governo cubano que impedisse o narcotráfico no território nacional, as águas jurisdiccionais e o espaço aéreo de Cuba, ao mesmo tempo que lhe preocupava a decisão de disparar sobre aviões, perante a possibilidade de que alguma aeronave não respondesse às nossas ordens por engano ou por falta de comunicação ou dificuldade de outra natureza. Solicitavam moderação.

No 25 de Junho a Administração Federal de Aviação enviou uma comunicação à Aeronáutica Civil expressando preocupação pela política anunciada no dia anteriror de disparar sobre aviões suspeitos que não respondessem à ordem de aterragem.

No dia 26 de Junho, o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, ao mesmo tempo que saudou "qualquer acção legítima para impedir o narcotráfico", instou o governo cubano a tomar as precauções necessárias e exercer moderação para evitar perdas de vidas inocentes.

No dia 27 de Junho o Ministério das Relações Exteriores entrega a Nota 1268 à SINA, em que se reitera a determinação firme de Cuba de incrementar todas as medidas possíveis para combater o narcotráfico nas imediações do território cubano, das quais fazem parte a estrita observância do regime internacional de sobrevôo no que tange à responsabilidade de Cuba com relação ao seu espaço aéreo.

No dia 28 de Junho o presidente Bush declarou ao Novo Herald que considerava positiva a decisão do governo cubano de julgar oficiais cubanos ligados ao tráfico de drogas.

Afinal, a ordem não pôde ser cumprida, nem sequer para dar um escarmento. O tempo que decorre desde o momento em que os radares descobrem a violação, transmitem a informação para uma base aérea, decola o avião interceptor, para depois ser orientado rumo ao ponto longínquo onde se move um objetivo pequeno, ainda que fosse de dia, para poder vê-lo com seu próprio radar, avisar o que observa e esperar ordens, é maior do que o tempo que precisa o infrator para cruzar o estreito território e sair sobre águas internacionais. Os narcotraficantes soem usar além disso, para evadir riscos, a táctica de utilizar a noite e voar a baixa altura, inclusive sobre terrenos irregulares. As centenas de milhares de dólares que recebem por cada vôo os tornam praticamente suicidas. A nossa Força Aérea tem perdido aviões de combate, e inclusive vidas, em tarefas de localização para interceptar violações deste tipo. Um plantão intensivo e permanente, dia e noite, seria ruinoso e desgastante em homens e equipamentos em pleno período de paz. Aliás, o risco em tais circunstâncias de derrubar um avião de aventureiros não misturados com o narcotráfico era real.

Os Estados Unidos, pela sua vez, possuem aviões com meios técnicos e excelentes comunicações, especialmente desenhados para localizá-los, segui-los sobre águas internacionais ou ao longo e largo do seu imenso território se penetrarem nele, até que o objectivo fique livre da sua carga ou esgote o combustível e tenha de aterrar.

As intrigas não tardaram em começar:

·No dia 11 de Julho o chefe da SINA é citado pelo MINREX onde lhe entregam a Nota 1376 rejeitando as declarações de funcionários norte-americanos com relação a supostos bombardeamentos de drogas em águas territoriais cubanas que não foram reprimidos pelas forças cubanas. Lá lhe esclarecem os pormenores do bombardeamento produzido nos dias 7 e 8 de Julho e os esforços das nossas forças por localizá-lo e controlá-lo. Na nossa Nota se afirmava que a não ser que os Estados Unidos assumissem uma posição séria e construtiva, não se poderia estabelecer uma cooperação sincera e efetiva. Ao mesmo tempo, reitera-se a disposição de Cuba a cooperar e que se espera por proposições concretas da parte do governo dos Estados Unidos.

·No dia 20 de Julho a imprensa informa que quatro senadores remeteram uma carta ao Comandante-em-Chefe solicitando informação a respeito do caso Ochoa.

·No dia 24 de Julho o Secretário de Defesa, Richard Chaney, declarou que o que estava acontecendo em Cuba era algo mais do que uma luta contra a corrupção e o narcotráfico.

·Nos dias 25 e 26 de Julho são realizadas audiências do Grupo de Trabalho sobre o Controle Internacional do Narcotráfico da Câmara dos Representantes, e do Sub-Comité de Terrorismo, Narcóticos e Opera-ções Internacionais do Senado. O representante do governo dos Estados Unidos nas audiências indicou que tinham pedido a Cuba o resultado da investigação e reiterou em várias ocasiões o interesse do governo dos Estados Unidos de "pôr a prova" a Cuba nesta matéria.

·No dia 26 de Julho o Vice-Ministro das Relações Exteriores, Ricardo Alarcón, negou que os Estados Unidos tenham entregue alguma informação a Cuba durante os 18 meses decorridos sobre o envolvimento de oficiais do governo cubano no narcotráfico.

·No dia 2 de Agosto, o Secretário de Justiça, Richard Thornburgh, em audiência do Comité de Relações Exteriores do Senado, expressou dúvidas sobre as possibilidades de cooperação com Cuba na luta contra o narcotráfico. Acrescentou que Cuba tinha ignorado os esforços de Washington para atingir uma cooperação.

·Também no dia 2 de Agosto o Vice-presidente Dan Quayle disse estar intrigado pelo anúncio do Comandante-em-Chefe de que seriam adoptadas medidas severas contra o narcotráfico.

·No dia 7 de Agosto, Granma publica um editorial em que denuncia a campanha de mentiras desde os Estados Unidos no que se refere a um suposto envolvimento de Cuba no narcotráfico e fixa com claridade a sua posição e oferta de cooperação com os Estados Unidos na matéria.

·No dia 17 de Agosto é celebrada uma audiência do Comité de Assuntos Judiciários do Senado, na qual um narcotraficante de origem colombiana no seu depoimento tenta vincular Cuba com as suas actividades ilegais.

·No dia 1 de Setembro foi entregue a Nota 1694 à SINA em resposta à sua 357 em que solicitava cooperação para deter e expulsar 12 narcotraficantes de origem colombiana procurados nos Estados Unidos. Na nossa Nota agradecemos e apreciamos a informação e era reiterado que Cuba não seria abrigo de narcotraficantes e portanto, estaríamos alertas. Reiterava-se mais uma vez a disposição de Cuba de somar os seus esforços à Comunidade Hemisférica na luta contra o tráfico de drogas.

Reparem que estamos falando de uma coisa que acontecia em 1989. Nunca, porém, os governos dos Estados Unidos aceitaram considerar um acordo de cooperação entre ambos os países para lutar contra o narcotráfico; Cuba, no entanto, tem assinado desde então frutíferos acordos nesse domínio com 23 países importantes da América Latina, Europa, África, Oriente Médio e Ásia. E além disso, coopera com os serviços antinarcóticos de outros 13 países interessados, com os quais ainda não assinou acordos.

Dez anos depois, no dia 25 de Maio de 1999, o Washington Post, que não soe ser amistoso, senão freqüentemente crítico da Revolução Cubana, publicou dois artigos sobre os esforços de Cuba no enfrentamento ao narcotráfico, assinados pelo jornalista Douglas Farah.

O primeiro artigo se titulava "Cuba leva a cabo uma guerra solitária contra as drogas", acompanhado por um subtítulo que afirmava: "Posição do Congresso obstaculiza papel dos Estados Unidos", e dizia o seguinte:

"ILHÉU CONFITES, Cuba.- Nesta arenosa porção de terra afastada da costa Norte de Cuba, a única linha de defesa contra os traficantes de drogas colombianos que se dirigem aos Estados Unidos consiste numa envelhecida embarcação de patrulha da época soviética, um sistema de radar britânico com um alcance de 6 milhas e 15 soldados cubanos.

"'Estamos a ver um aumento sistemático da quantidade de drogas lançadas aqui desde o ar, e recolhidas então por lanchas rápidas que as tiram das nossas águas' disse o coronel Fredy Curbelo, um funcionário do Ministério do Interior que acompanhou recentemente um repórter norte-americano num grande percurso sem precedentes, por instalações anti-droga na Cuba do governo comunista. As nossas lanchas soviéticas têm 20 anos e podem ir a 27 nós, enquanto os narcotraficantes podem ir facilmente a 45 nós. Estamos fazendo o que podemos com os nossos recursos, mas estamos limitados naquilo que fazemos.

"Apesar dos extremos problemas económicos de Cuba, que foram agravados depois do colapso do seu patrocinador soviético em 1989, o governo do presidente Fidel Castro está aumentando  o que peritos anti-drogas na Europa e nos Estados Unidos qualificam como um sério - embora carente de fundos -  esforço para bloquear o fluxo de drogas ilegais através de Cuba.

"O programa de Castro tem impressionado tanto a funcionários estadunidenses encarregados de fazer cumprir a lei que gostariam de cooperar mais com as suas contrapartes cubanas, quem já lhes têm dado uma ajuda discreta em vários casos importantes. Apenas há um problema: alguns membros do Congresso, com o apoio de muitos cubano-americanos, estão decididamente em contra de qualquer cooperação entre Havana e Washimgton, que não têm relações diplomáticas desde 1961.

"'Do nosso ponto de vista, essa política não tem sentido', disse um alto funcionário norte-americano. 'Não podemos fechar o Caribe (ao tráfico de drogas) sem tratar com Cuba, e eles têm mostrado uma disposição para cooperar conosco agindo sobre toda a informação que lhes remetemos. É um grande buraco que precisa ser tapado'.

"Só a 90 milhas da Flórida, Cuba resulta um ponto ideal de transbordo para drogas ilegáis dirigidas para os Estados Unidos, segundo funcionários norte-americanos, que estimam que ao redor de 30% da cocaína que chega aos Estados Unidos desde Colômbia passa através do Caribe. Todavia, a cooperação anti-droga está limitada, por enquanto, à informação trocada, na base de caso por caso, entre os guarda-costas norte-americanos e os guarda-costas cubanos mediante fax ou um antigo sistema de telex.

Em contraste, a cooperação anti-drogas entre Cuba e aliados dos Estados Unidos, como sendo Grã Bretanha, Espanha, Colômbia e França, está crescendo. Funcionários cubanos dizem que dariam as boas-vindas ao aumento da cooperação com os Estados Unidos na luta contra os narcotraficantes, inclusive, em ausência de progresso algum no que se refere à eliminação do embargo económico norte-americano contra a nação cubana.

"'Você pensaria que se existisse alguma área em que pudéssemos trabalhar juntos seria esta', disse Ricardo Alarcón, presidente da Assembléia Legislativa de Cuba e o homem de pontaria do governo no que tange às relações com os Estados Unidos. 'Isso mostra uma falta de vontade por parte dos Estados Unidos. Ambas as partes beneficiar-se-iam de uma cooperação mais ampla e sistemática' - disse Ricardo Alarcón.

"Anteriormente a este mês" - está falando do mês de Maio -, "Barry R. McCaffrey, director da política nacional de controlo de drogas da Administração Clinton, disse que os Estados Unidos 'provavelmente deveriam estar dispostos a estimular' o diálogo com as autoridades cubanas no que diz respeito à cooperação anti-drogas. Mas McCaffrey tem estado sob o ataque de legisladores cubano-americanos e os seus aliados no Congresso, os que desde há tempo têm sustentado que o governo de Castro não luta contra os narcotraficantes, senão que os ajuda.

"Numa carta de 30 de Dezembro de 1998, os congressistas norte-americanos Lincoln Díaz Balart (Flórida), Ileana Ros.Lehtinen (Flórida) e Dan Burton (Indiana), exigiram que McCaffrey enfrente a 'questão da participação do governo cubano no narcotráfico e empreenda todas as ações necessárias para pôr termo ao ocultamento dessa realidade por parte da Administração Clinton'.

"Numa resposta iracunda no dia 28 de Janeiro, McCaffrey, um general de exército, do exército, disse estar 'insultado' pelo tom da carta; negou 'categoricamente' um ocultamento e disse que não há 'evidências concludentes que indiquem que as autoridades cubanas estão envolvidas nessa actividade criminosa'.

Apesar dos comentários de McCaffrey e as súplicas do Departameto da Justiça, a Drug Enforcement Administration (DEA) e o Serviço de Guarda-costas, não há planos para melhorar o nível da cooperação anti-drogas entre os dois países, disseram altos funcionários da Administração Clinton.  Contudo, acrescentaram que, na ausência de um acordo formal, ambos os países podem continuar a cooperar na base de caso por caso. Qualquer coisa mais ambiciosa, disseram, geraria uma reação política no Congresso e colocaria em perigo os canais informais entre as agências encarregadas de fazer cumprir a lei em Cuba e nos Estados Unidos.

Não estamos a dizer que não estejamos preparados para fazer mais com eles nalgum momento... mas agora nada está sendo  considerado', disse um funcionário da Administração.

"Com 42.000 milhas quadradas de águas territoriais e 4.195 ilhas e pequenos ilhotes, Cuba é um paraíso para os contrabandistas" - diz o jornalista. "A maior parte da cocaína embarcada através de Cuba é atirada por avionetas a baixa altura perto dos ilhotes desabitados, onde é recuperada pelos traficantes em lanchas rápidas. Então nessas lanchas rápidas as levam para embarcações maiores na rota para os Estados Unidos da América ou para outros destinos, nomeadamente México, Haiti ou Jamaica.

"David Ridgway, embaixador britânico em Havana, descreveu a cooperação antinarcóticos entre o seu país e Cuba - incluindo 400.000 dólares por ano para para treino proporcionado por Grã Bretanha - como 'de primeira classe'. 'O compromisso político (de Cuba) é forte' disse numa entrevista em Havana. 'Estamos satisfeitos de que o nosso dinheiro é bem gasto' -disse o Embaixador, segundo o jornalista.

"Graças à ajuda britânica, os funcionários de imigração no aeroporto podem agora fazer perfis de passageiros para determinar quais podem estar envolvidos no tráfico de drogas. Desde 1994 quando começou a explosão turística em Cuba, foram detidos 215 estrangeiros com crimes de narcotráfico. A bagagem é verificada por cães rastejadores treinados na França.

"Os esforços antidrogas também estão nas novas zonas francas de Cuba, nas quais a maioria das mercadorias são embarcadas sem serem inspecionadas, tornando-as favoritas para os narcotraficantes. Por exemplo, no dia 3 de Dezembro a polícia colombiana capturou 7.7 toneladas de cocaína em Cartagena, Colômbia, que estava dirigida para a Espanha através de Havana. As autoridades Cubanas e colombianas determinaram que a rota tinha sido utilizada pelo menos três vezes antes de ser descoberta.

"As autoridades cubanas dizem estar incentivadas pelo desejo de evitar que o consumo de drogas adquira força na ilha. Durante décadas, depois do triunfo da Revolução em 1959, as drogas ilegais foram virtualmente desconhecidas em Cuba. Mas há alguns anos na medida em que o turismo trouxe influências externas e dólares norte-americanos, a maconha, a cocaína e o crack tem começado a infiltrar na ilha, disseram as autoridades.

"Segundo o Ministério do Interior, as autoridades cubanas descobriram 30 pacotes de cocaína nas suas costas o ano passado -comparados com 12 em 1994 - visto que os traficantes perderam os seus pontos de contacto ou jogaram fora as suas cargas intencionalmente para evitar a detenção. Dessas cargas as autoridades recuperaram 68 nos primeiros três meses deste ano.

"Num discurso a 5 de Janeiro deste ano, Castro reconheceu que o tráfico de drogas é um problema crescente, informou que 1.216 pessoas encontram-se na cadeia com crimes relativos à droga, e queixou-se de que algumas pessoas tinham estado a esconder os pacotes de drogas no lugar de os entregar à polícia."

O segundo artigo do mesmo autor, no mesmo órgão de imprensa que é editado na capital dos Estados Unidos da América, chama-se: "Neste caso, a equipe Cuba-Estados Unidos da América ganhou um grande ponto".

"Havana.- O primeiro de Outubro de 1996 funcionários do Serviço de Guarda-costas dos Estados Unidos da América olhavam com frustração como o cargueiro Limerick - afundando-se, abandonado e levando uma grande quantidade de cocaína - ia à deriva dentro das águas cubanas e parecia estar fora do seu alcance.

"Alertado por uma solicitação dos guarda-costas, transmitida através de canais diplomáticos britânicos, as autoridades cubanas rebocaram o navio até as costas cubanas e - com a ajuda de agentes norte-americanos -," que nós realmente convidamos, "descobriram a carga escondida, que entregaram às autoridades dos Estados Unidos da América para a sua utilização no julgamento do capitão e da tripulação do navio. Inclusivemente, guarda-costas cubanos viajaram a Miami como testemunhas.

"Cooperaram muito", disse James Milford, que era o subdirector da DEA nessa altura. 'De qualquer ponto de vista, merecem muito crédito'.

"Os Estados Unidos da América continuam proibindo a maioria do comércio com Cuba, e ambos os países não têm relações diplomáticas desde 1961. Mas os funcionários encarregados do cumprimento da lei em ambos os países colocam que o nível de cooperação, sem precedentes, no caso Limerick demonstrou como as diferenças políticas podem ser colocadas de lado quando é perseguido um objectivo comum.

"O caso começou quando os guarda-costas, agindo segundo uma informação de inteligência, detiveram o cargueiro em águas internacionais no norte de Cuba sob a suspeita de que levava duas toneladas de cocaína" - na verdade aquí devia dizer ao sul de Cuba, no sul de oriente, mas é o que diz o artigo. No entanto, os guada-costas abordavam o navio, a tripulação de 11 homens tentou afundá-lo, obrigando os guarda-costas evacuar a tripulação e a abandonar o navio.

"Empregando os britânicos como intermediários os guarda-costas pediram à patrulha de guarda-costas cubana tentar salvar o navio de 220 pés, que tinha entrado no território cubano, tinha entrado água e estava quase a se afundar, segundo os funcionários norte-americanos, britânicos e cubanos. Os cubanos acederam e rebocaram o navio até a costa.

"Actuando sobre a base de inteligência norte-americana, as autoridades cubanas começaram o desmantelamento do navio e descobriram uma carga escondida de duas toneladas de cocaína aproximadamente, segundo o tenente coronel Oscar García, segundo chefe da polícia cubana antidrogas. Depois os Estados Unidos da América trasladaram nova informação de inteligência indicando que mais cocaína poderia ainda estar escondida no navio, cuja viajem tinha saido de Barranquilla, Colômbia.

"Os cubanos acederam permitir que funcionários da DEA e do Departamento da Justiça norte-americanos" - a verdade é que os convidamos participar - se lhes juntassem na primeira operação conjunta antidroga entre os países, segundo disseram funcionários norte-americanos e cubanos.

"Depois de duas semanas desmantelando o  navio, os investigadores de ambos os países descobriram mais seis toneladas de cocaína, isto é uma carga total de oito toneladas - uma das maiores capturas de cocaína da história." Lembro que foi um bocado menos, quase sete.

Até aqui o mais importante dos dois artigos do Washington Post.

É conveniente acrescentar que não só se cooperou no caso do navio Limerick. Há algumas semanas, com a cooperação de Cuba foi capturado no Caribe o navio China-Breeze, da empresa navieira de Babuch-Marín Inc, com quatro toneladas de cocaína.

A 28 de Maio de 1999 nas imediações de "Ilhéu  Confites", no norte de Camagüey, foi capturada pelas Forças de Guarda-costas uma lancha rápida que vinha a recolher a carga de uma avioneta, a que perseguida por um meio aéreo da DAAFAR, viu-se obrigada a lançar a droga fora do ponto concordado para o encontro. Foram ocupadas 449 quilogramas de cocaína.

A 31 de Maio - há menos de dois me-ses -, com a cooperação de Cuba, foi capturada em alto-mar a embarcação motorizada Castor com quatro toneladas de cocaína.

Como resultado da luta contra drogas no nosso país, só entre 1970 e 1999 foram detidos 693 narcotraficantes estrangeiros. Entre 1970 e 1990, um período mais curto, isto é, 20 anos, foram capturados e confiscados 30 aviões e 73 embarcações, delas - isto é considerando o conjunto - 84 de matrícula norte-americana. Doutra parte, Cuba nunca tem sido produtora nem exportadora de drogas. Tudo isto está relacionado com drogas que são produzidas, exportadas e transportadas desde outros pontos.

Só duas semanas depois dos artigos do Washington Post, na primeira dezena de Junho, recebi um destacado e prestigioso legislador norte-americano, membro do Partido Republicano que visitou Cuba. Percebi nele um homem experimentado e sério com o qual se podia ter uma conversação profunda e franca. Por discreção não vou dizer o nome dele, visto que não quero envolvê-lo neste debate. Não o tenho consul-tado com ele. Um dos pontos mais importantes abordados na conversação foi a questão do narcotráfico. Dos apontamentos dessa conversação faço referência a alguns dados essenciais, logicamente este ponto foi muito mais longo.

Quando me perguntou que se Cuba e os Estados Unidos da América estavam trabalhando de cojunto na atualidade para combater o tráfico de drogas, respondi-lhe: Existe uma modesta cooperação.

Quando me perguntou as causas, disse francamente que durante 40 anos tínhamos sido gendarmes no Caribe contra o tráfico de drogas, e não porque queriam as introduzir, mas porque nesse longo período nos tínhamos tido que defender de ataques piratas, infiltrações de homens, armas e explosivos, e de aviões que violavam o nosso espaço aéreo para lançar bombas, productos inflamáveis, armas ou elementos biológicos. Sempre que podíamos os obrigávamos a aterrar. Que nessa época, durante muitos anos, os aviões obedeciam esse tipo de ordem - nunca derrubávamos nenhum, segundo lembro -; mas quando os narcotraficantes descobriram que se os aviões não obedeciam ninguém lhes disparava, deixaram de fazê-lo. Às vezes quando tinham que aterrar por questões técnicas, então os capturávamos. Dessa maneira interceptamos uma quantidade de aviões e especialmente  muitas embarcações que traficavam com drogas. Os seus tripulantes eram detidos automaticamente e julgados em Cuba, sem excepção nenhuma.

Expliquei-lhe os fatos julgados na Causa Nº 1 como acto de traição, porque, sendo vários deles oficiais importantes do Ministério do Interior e outro um destacado chefe militar que inclusivemente tinha recebido uma alta condecoração pelos seus méritos de guerra, tinham participado na organização de um tráfico de drogas através do nosso país, tão extremamente grave que punha em risco o prestígio e a segurança da nação.

Que o incrível era o pretexto colocado por eles de que o conceberam para ajudar o país. Por cada quilograma de droga recebiam 1 000 dólares. Era estúpido pensar ou acreditar, dentro ou fora de Cuba, que um país que importava 8 000 milhões de dólares por ano pudesse resolver algum problema arrecadando 1 000 dólares pelo tránsito de uma quilograma de droga. Em total ajudaram a traficar, durante mais de dois anos, por volta de quatro toneladas antes de serem descobertos.

Disse-lhe ao visitante que se os narcotraficantes entregassem 1 000 milhões ou 5 000 milhões de dólares, se pagassem toda a dívida externa de Cuba, a Revolução não aceitaria passar jamais nem uma quilograma de droga (Aplausos); porque o nosso país vale mais do que isso, e a obra feita na saúde, na educação e noutras muitas coisas de elementar justiça, com o sacrifício de inúmeras vidas, vale muito mais do que essa cifra; que a vida de um só homem vale muito mais (Aplausos), e nós tínhamos tido que sacrificar muitas vidas.


II PARTE


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