Parlamento
Europeu aderiu
à campanha anticubana
Javier Rodríguez
A resolução anticubana adotada pelo Parlamento
Europeu aderiu diretamente a essa instituição na
feroz campanha política e midiática desenvolvida
atualmente contra Cuba, que busca fabricar patriotas
entre mercenários e delinquentes dentro do trabalho
de subversão dirigido a derrocar a ordem
constitucional erigida por nosso povo revolucionário
há 52 anos.
O acontecido em Estrasburgo pode ser catalogado
como outro episódio da conjura em andamento que,
usando os principais meios de difusão e as
organizações manejadas pelos setores mais
reacionários, pretende aproveitar o lamentável
incidente da morte dum preso comum, recrutado depois
por grupelhos contrarrevolucionários, por causa duma
prolongada greve de fome mantida por decisão própria,
para confundir à opinião pública internacional.
Esta iniciativa impulsionada pela direita
europeia no Parlamento conseguiu arrastar os
diferentes grupos políticos que formam este
legislativo, evidenciando claramente a convergência
de posições direitistas e reacionárias que o compõem
independentemente de nomes e classificações.
Isso é fácil de compreender, se levarmos em conta
a própria razão da convocatória do debate no seio do
Parlamento Europeu, para a qual se elevou o tema tão
batido na propaganda contra a Ilha "da situação dos
presos políticos e de consciência em Cuba".
O único objetivo era condenar o governo e o povo
cubanos, realmente submetidos à violação de seus
direitos pelo longo bloqueio estadunidense e pela
ingerência em seus assuntos internos também pela
própria UE.
Durante o debate e para fortalecer suas posições
os deputados europeus de direita não tiveram
vergonha alguma em assumir os desgastados argumentos
tradicionalmente utilizados pelos Estados Unidos,
para questionar de forma ingerencista, nosso sistema
político.
É lamentável que o Parlamento Europeu inclua de
forma grosseira em sua resolução a essência mesma da
"Posição Comum", sem sequer ter a honestidade de
mencioná-la. Essa mesma "Posição Comum" que, como é
amplamente conhecido, foi redigida em Washington no
mesmo ano em que impunham a Cuba a Lei Helms Burton,
ambas com o objetivo comum de destruir nossa
Revolução. O Parlamento Europeu parece não entender
ainda que, enquanto a relíquia da "Posição Comum"
existir, não haverá normalização das relações de
Cuba com a UE.
Ao analisar a fundo esta sessão da Câmara
Europeia caberia perguntar-se onde ficaram os sempre
mencionados "princípios democráticos e a pluralidade"
esgrimidos pela desenvolvida Europa.
De maneira desvergonhada, a resolução adotada
pela Câmara Europeia "insta às instituições
europeias a apoiarem incondicionalmente e sem
reservas a transição política" em Cuba. Da mesma
maneira "insta a que iniciem de imediato um diálogo
estruturado com a sociedade civil cubana e com
aqueles setores que apóiem uma transição pacífica na
Ilha... utilizando os mecanismos comunitários de
cooperação para o desenvolvimento".
Ou seja, convoca abertamente os governos europeus
a intensificarem suas atividades subversivas e a
suas embaixadas em Havana a implicar-se ainda mais
no alento, apoio e financiamento aos mercenários.
Desvergonhadamente a resolução solicita que os
projetos de cooperação entre a Comissão Europeia e
Cuba sejam utilizados com propósitos subversivos.
Neste circo político chamou à atenção a posição
do Grupo Socialista Europeu, que se submeteu
obedientemente às posições mais direitistas e
anticubanas. O vice-presidente do Grupo dos
socialistas espanhóis Ramón Jáuregui, apesar de que
agora se empenhe em demonstrar o contrário, chegou
inclusive a contradizer a linha seguida pela
presidência espanhola da UE em sua política a Cuba.
Muito mais vergonhoso ainda é que aqueles que
representam países que cooperam no sequestro,
tortura e encerramento em cárceres clandestinas de
inúmeras pessoas, assumam uma posição de defensores
dos direitos humanos contra Cuba, cuja Revolução
dedicou seus maiores esforços em salvar vidas em seu
território e no resto do mundo.
O Parlamento Europeu deve olhar em seu entorno
comunitário, onde se reprimem imigrantes, se
esquecem os desempregados, aumentam as
desigualdades, e constatam centenas de denúncias de
torturas em suas prisões e de violações dos direitos
humanos.
O espírito de metrópole colonialista rondou o
hemiciclo europeu quando muitos deputados se
atribuíram o suposto direito de impor e ditar.
Parecem esquecer que há 52 anos o povo cubano tomou
as rédeas de seu destino e que não reconhece desse
Parlamento nenhuma jurisdição e muito menos
autoridade moral.
Sentem-se com direito a imiscuir-se em nossas
decisões internas e questioná-las. Com isto, as
autoridades europeias revelam seu verdadeiro e
retrógrado espírito colonialista.
Uma democracia falsa, sem contar com os
contribuintes europeus, pretende dirigir os fundos
comunitários com destino ao sujo empenho de
subverter o sistema político de outro país soberano.
É lamentável que uma instituição como esta se
dedique a organizar planos conspirativos, apoiando
mercenários e delinquentes, ao tempo que apoia
grosseiras mentiras e distorções mal-intencionadas
da realidade de nosso país.
No que pareceria uma zombaria, se não se tratasse
de um tema tão ofensivo para nosso país, esse mesmo
Parlamento que supostamente tanto se preocupa pela
proteção e defesa dos direitos humanos em Cuba, foi
capaz de rejeitar por ampla maioria, duas propostas
de emendas que justamente versavam sobre estes
direitos.
Quais são os direitos humanos que defendem os 439
deputados europeus que se opuseram abertamente a
condenar e pedir o fim dum bloqueio, que constitui
uma grosseria violação dos direitos humanos e um ato
de genocídio, segundo o texto da Convenção de
Genebra? Por acaso o direito à vida não é o mais
elementar de todos os direitos humanos?
Como pode compreender-se que esse conclave recuse
outra emenda que menciona a explosão do avião de
Cubana de Aviação em 1976 e prefira guardar silêncio
sobre a colossal hipocrisia que constitui o fato de
que os Estados Unidos mantenham prisioneiros cinco
antiterroristas cubanos, enquanto apoia e protege o
principal terrorista deste hemisfério? Será que
algumas vidas têm mais valor que outras?
Com esta posição apenas expõem sua submissão aos
interesses norte-americanos e mostram não ter uma
política independente e própria.
Vozes dignas como as do Grupo de Esquerda Unida,
opuseram-se à aprovação da resolução anticubana.
Parte de seus membros, entre eles o espanhol Willy
Meyer e a portuguesa Ilda Figueiredo, catalogaram de
hipócrita a postura da Câmara Europeia ao questionar
a Cuba e não fazê-lo com o golpe militar de
Honduras. Lembraram que esse foi talvez o único
parlamento no mundo que não recusou "o golpe, com
seus assassinatos e suas torturas". Também,
emprazaram a União Europeia a pôr fim à "Posição
Comum" ao tempo que exigiram o fim do bloqueio e
denunciaram a injusta prisão dos Cinco
antiterroristas cubanos em cárceres doe Estados
Unidos.
Mais uma vez se enganaram com o povo de Cuba
aqueles que pretendem humilhá-lo com a tentativa de
submeter nossa pequena Ilha a tratamentos
singularizados. O acontecido no pleno do Parlamento
Europeu, ficará na história como evidência da
mentalidade ainda colonialista dos Estados europeus.