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Só TEXTO  / Assinatura jornal impreso

C U B A

Havana. 12 de Março, de 2010    

Parlamento Europeu aderiu
à campanha anticubana

Javier Rodríguez

A resolução anticubana adotada pelo Parlamento Europeu aderiu diretamente a essa instituição na feroz campanha política e midiática desenvolvida atualmente contra Cuba, que busca fabricar patriotas entre mercenários e delinquentes dentro do trabalho de subversão dirigido a derrocar a ordem constitucional erigida por nosso povo revolucionário há 52 anos.

O acontecido em Estrasburgo pode ser catalogado como outro episódio da conjura em andamento que, usando os principais meios de difusão e as organizações manejadas pelos setores mais reacionários, pretende aproveitar o lamentável incidente da morte dum preso comum, recrutado depois por grupelhos contrarrevolucionários, por causa duma prolongada greve de fome mantida por decisão própria, para confundir à opinião pública internacional.

Esta iniciativa impulsionada pela direita europeia no Parlamento conseguiu arrastar os diferentes grupos políticos que formam este legislativo, evidenciando claramente a convergência de posições direitistas e reacionárias que o compõem independentemente de nomes e classificações.

Isso é fácil de compreender, se levarmos em conta a própria razão da convocatória do debate no seio do Parlamento Europeu, para a qual se elevou o tema tão batido na propaganda contra a Ilha "da situação dos presos políticos e de consciência em Cuba".

O único objetivo era condenar o governo e o povo cubanos, realmente submetidos à violação de seus direitos pelo longo bloqueio estadunidense e pela ingerência em seus assuntos internos também pela própria UE.

Durante o debate e para fortalecer suas posições os deputados europeus de direita não tiveram vergonha alguma em assumir os desgastados argumentos tradicionalmente utilizados pelos Estados Unidos, para questionar de forma ingerencista, nosso sistema político.

É lamentável que o Parlamento Europeu inclua de forma grosseira em sua resolução a essência mesma da "Posição Comum", sem sequer ter a honestidade de mencioná-la. Essa mesma "Posição Comum" que, como é amplamente conhecido, foi redigida em Washington no mesmo ano em que impunham a Cuba a Lei Helms Burton, ambas com o objetivo comum de destruir nossa Revolução. O Parlamento Europeu parece não entender ainda que, enquanto a relíquia da "Posição Comum" existir, não haverá normalização das relações de Cuba com a UE.

Ao analisar a fundo esta sessão da Câmara Europeia caberia perguntar-se onde ficaram os sempre mencionados "princípios democráticos e a pluralidade" esgrimidos pela desenvolvida Europa.

De maneira desvergonhada, a resolução adotada pela Câmara Europeia "insta às instituições europeias a apoiarem incondicionalmente e sem reservas a transição política" em Cuba. Da mesma maneira "insta a que iniciem de imediato um diálogo estruturado com a sociedade civil cubana e com aqueles setores que apóiem uma transição pacífica na Ilha... utilizando os mecanismos comunitários de cooperação para o desenvolvimento".

Ou seja, convoca abertamente os governos europeus a intensificarem suas atividades subversivas e a suas embaixadas em Havana a implicar-se ainda mais no alento, apoio e financiamento aos mercenários. Desvergonhadamente a resolução solicita que os projetos de cooperação entre a Comissão Europeia e Cuba sejam utilizados com propósitos subversivos.

Neste circo político chamou à atenção a posição do Grupo Socialista Europeu, que se submeteu obedientemente às posições mais direitistas e anticubanas. O vice-presidente do Grupo dos socialistas espanhóis Ramón Jáuregui, apesar de que agora se empenhe em demonstrar o contrário, chegou inclusive a contradizer a linha seguida pela presidência espanhola da UE em sua política a Cuba.

Muito mais vergonhoso ainda é que aqueles que representam países que cooperam no sequestro, tortura e encerramento em cárceres clandestinas de inúmeras pessoas, assumam uma posição de defensores dos direitos humanos contra Cuba, cuja Revolução dedicou seus maiores esforços em salvar vidas em seu território e no resto do mundo.

O Parlamento Europeu deve olhar em seu entorno comunitário, onde se reprimem imigrantes, se esquecem os desempregados, aumentam as desigualdades, e constatam centenas de denúncias de torturas em suas prisões e de violações dos direitos humanos.

O espírito de metrópole colonialista rondou o hemiciclo europeu quando muitos deputados se atribuíram o suposto direito de impor e ditar. Parecem esquecer que há 52 anos o povo cubano tomou as rédeas de seu destino e que não reconhece desse Parlamento nenhuma jurisdição e muito menos autoridade moral.

Sentem-se com direito a imiscuir-se em nossas decisões internas e questioná-las. Com isto, as autoridades europeias revelam seu verdadeiro e retrógrado espírito colonialista.

Uma democracia falsa, sem contar com os contribuintes europeus, pretende dirigir os fundos comunitários com destino ao sujo empenho de subverter o sistema político de outro país soberano.

É lamentável que uma instituição como esta se dedique a organizar planos conspirativos, apoiando mercenários e delinquentes, ao tempo que apoia grosseiras mentiras e distorções mal-intencionadas da realidade de nosso país.

No que pareceria uma zombaria, se não se tratasse de um tema tão ofensivo para nosso país, esse mesmo Parlamento que supostamente tanto se preocupa pela proteção e defesa dos direitos humanos em Cuba, foi capaz de rejeitar por ampla maioria, duas propostas de emendas que justamente versavam sobre estes direitos.

Quais são os direitos humanos que defendem os 439 deputados europeus que se opuseram abertamente a condenar e pedir o fim dum bloqueio, que constitui uma grosseria violação dos direitos humanos e um ato de genocídio, segundo o texto da Convenção de Genebra? Por acaso o direito à vida não é o mais elementar de todos os direitos humanos?

Como pode compreender-se que esse conclave recuse outra emenda que menciona a explosão do avião de Cubana de Aviação em 1976 e prefira guardar silêncio sobre a colossal hipocrisia que constitui o fato de que os Estados Unidos mantenham prisioneiros cinco antiterroristas cubanos, enquanto apoia e protege o principal terrorista deste hemisfério? Será que algumas vidas têm mais valor que outras?

Com esta posição apenas expõem sua submissão aos interesses norte-americanos e mostram não ter uma política independente e própria.

Vozes dignas como as do Grupo de Esquerda Unida, opuseram-se à aprovação da resolução anticubana. Parte de seus membros, entre eles o espanhol Willy Meyer e a portuguesa Ilda Figueiredo, catalogaram de hipócrita a postura da Câmara Europeia ao questionar a Cuba e não fazê-lo com o golpe militar de Honduras. Lembraram que esse foi talvez o único parlamento no mundo que não recusou "o golpe, com seus assassinatos e suas torturas". Também, emprazaram a União Europeia a pôr fim à "Posição Comum" ao tempo que exigiram o fim do bloqueio e denunciaram a injusta prisão dos Cinco antiterroristas cubanos em cárceres doe Estados Unidos.

Mais uma vez se enganaram com o povo de Cuba aqueles que pretendem humilhá-lo com a tentativa de submeter nossa pequena Ilha a tratamentos singularizados. O acontecido no pleno do Parlamento Europeu, ficará na história como evidência da mentalidade ainda colonialista dos Estados europeus.
 

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