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 C U B A

Havana. 16 de Abril, de 2012

EMPOLGANTE ENCONTRO DE FIDEL COM NGUYEN PHU TRONG
A Renovação não foi uma tarefa simples
 Comentou o secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista, Nguyen Phu Trong, em entrevista com o jornal Granma

Lázaro Barredo Medina e Claudia Fonseca Sosa

EMPOLGANTE ENCONTRO DE FIDEL COM NGUYEN PHU TRONGJUSTO antes da entrevista com o jornal Granma, na tarde da quarta-feira, dia 11 de abril, o secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong, teve a oportunidade de reunir-se com o companheiro Fidel Castro e a conversa começou, precisamente, por suas impressões acerca deste encontro.

Acabei de retornar da casa do companheiro Fidel e tivemos uma conversa que durou quase duas horas. E se tivéssemos tido mais tempo, teríamos continuado falando.

Hoje vi Fidel mais saudável, comparado com nosso primeiro encontro em 2010. A reunião foi muito cordial e muito interessante, sem nenhum protocolo, como irmãos convivendo na mesma casa. Fidel segurou minhas mãos por vários minutos e disse sentir alegria. Nós os vietnamitas sentimos grande respeito por Fidel e seu povo.

Ao adentrarmo-nos na conversa, percebemos que temos muitas coisas para refletir. Fidel falou não só de temas políticos, mas também da ciência e da técnica.

Fidel lembrou sua visita ao Vietnã, no ano 1973. Referiu-se a minhas palavras, no ato político que fizemos no cais Hai Phong e dos profundos sentimentos de amizade entre Cuba e o Vietnã.

Quando cheguei, estava acima de sua mesa o documento da conferência que ministramos na Escola Superior do Partido Ñico López. Interessou-se pelo número de cópias que tinham feito do mesmo, e pela quantidade de líderes políticos que tinham participado do evento.

Da mesma maneira, avaliou meu discurso como sugestivo e correto, e quis esclarecer algumas diretrizes que coincidem com políticas que o Vietnã tem estado implementando. Quis saber minha opinião. Disse-lhe que, atualmente, há muitas pessoas que apenas querem escutar e não refletir.

Também, disse que tinha acompanhado minha visita através da mídia. Perguntou-me como me tinha sentido e quis conhecer aspectos sobre minha visita à província de Pinar del Río. Inquiriu com detalhe sobre o desenvolvimento agrícola no Vietnã.

Interessou-se por nosso programa de visita a diversos países da América Latina e, para minha surpresa, falou de que no dia 14 de abril é o meu aniversário e perguntou onde estaria nesse momento.

Em todo momento, Fidel demonstrou ter uma mentalidade muito clara, com estudos e uma metodologia muito lógica, muito científica. E temos certeza de que os líderes têm que ter essas qualidades, serem concretos.

AS ESTRATÉGIAS DA RENOVAÇÃO SOCIALISTA

O líder vietnamita ofereceu uma explicação resumida dos principais passos dados pelo Vietnã em sua política de Renovação.

Em 1986, quando o Vietnã começou a implementar a política de Renovação — conhecida nessa terra asiática como Doi Moi —, muitos pensaram que o país pretendia abrir mão do socialismo. Desde então decorreram 26 anos e a história se encarregou de demonstrar o contrário, porque mediante nossas experiências, combinando os argumentos teóricos e científicos do marxismo-leninismo e o pensamento de Ho Chi Minh, chegamos à conclusão de que apenas o socialismo pode manter a independência nacional, a prosperidade e felicidade do povo.

Sob a tutela do Partido Comunista, o povo vietnamita soube adequar as pertinentes transformações econômicas ao contexto histórico e às necessidades concretas da nação, sem sacrificar sua estabilidade política. Conseguiu resultados socioeconômicos impressionantes, que o aproximam cada vez mais do propósito de "construir um Vietnã dez vezes mais belo".

Porém, para cumprir o sonho de Ho Chi Minh tivemos que eludir diversos obstáculos, avançar sem decisões apressadas. Nosso Partido está ciente de que a transição ao socialismo é uma obra prolongada, difícil e complicada.

O processo Doi Moi não foi simples. Desde a década de 1980 até hoje tivemos que caminhar bastante. De 1981 a 1985, vivemos a etapa que poderíamos chamar de pré-Renovação, na qual realizamos diferentes experiências, balançamos a teoria com a prática, tiramos conclusões. Não foi até 1986 que ficou estruturada a política de Renovação. Entre os anos 1980-1981 começamos a entregar terras aos camponeses, mas não foi até o 6º Congresso de nosso Partido, em 1986, que o Bureau Político elaborou a Resolução nº 10, que determinou a implementação do pagamento pelos resultados reais do trabalho.

A partir de então, começou a acelerar-se o desenvolvimento agrícola e permitam-me dizer-lhes, como um exemplo, que obter um rendimento anual de 47 milhões de toneladas de arroz, levou muito esforço e foi algo que teve que ir sendo consolidado, ano após ano.

Até 1999, estivemos importando arroz, para satisfazer a demanda da população. Contudo, naquele ano não só começamos a autoabastecer-nos, mas já naquela época conseguimos exportar o primeiro milhão de toneladas de arroz.

No plano industrial aconteceu algo parecido. Entre 1981-1982 começamos a eliminar o sistema burocrático, mas as políticas a seguir a respeito disso não foram aprovadas até 1986. Não foi até 1991 quando se começou a falar de economia de multicomponentes, de produção de mercadorias, e de economia de mercado com orientação socialista. Naquela época, também fomos bloqueados pelos Estados Unidos (por 20 anos), e não se podia falar de integração econômica internacional.

E tudo isso sem contar muitos outros problemas como as sequelas das guerras. Só menciono um exemplo: até o dia de hoje, ainda milhões de pessoas continuam sofrendo doenças incuráveis, centenas de milhares de crianças crescem anormais, em consequência do agente laranja, dioxina que as tropas norte-americanas fumegaram durante a guerra. Segundo especialistas, o Vietnã precisa de 100 anos ou mais para poder limpar completamente as bombas e minas que ainda estão enterradas no solo de nosso país. Como eu disse na conferência na escola Ñico López, somente na província de Quang Tri, que o companheiro Fidel Castro visitou em 1973, milhares e milhares de bombas e minas se encontram sem explodir, em 45% de suas terras de cultura.

Estes são apenas exemplos da árdua tarefa que enfrentamos com a Renovação. Contudo, o mais difícil é mudar a mentalidade geral e individual no Vietnã, muitos pensaram que as transformações nos afastariam do socialismo. Inclusive, falaram de desvios, outros são mais conservadores. O Vietnã não só conseguiu resultados econômicos significativos, nestes 25 anos, mas também resolveu problemas sociais de modo muito melhor que os países capitalistas, com o mesmo nível de desenvolvimento. E prova desses resultados é que, em nosso país, o índice de pobreza, em 1986, era de 75% e já em 2010 despencou para 9,5%. A Renovação trouxe mudanças muito positivas, melhorou-se consideravelmente a vida do povo, e isso é reconhecido nas Nações Unidas, quando se assinala que o Vietnã é um dos primeiros países que mais cumpre os Objetivos do Milênio.

E nestes dias de visita em Cuba, nos quais conversei com seus líderes, penso que estão na mesma fase. A mudança de mentalidade tem que ser realizada em todos os patamares, desde o superior até o básico.

A consolidação da Renovação é um tema que abordamos no recente 11o Congresso do Partido, e quanto aos objetivos ou metas, em longo prazo, vale salientar o propósito do Vietnã de se converter num país basicamente industrializado, para 2020. Nossa estratégia de desenvolvimento desde 2011, até essa data, tem que se basear em três pilares fundamentais: o desenvolvimento da infraestrutura, os recursos humanos e a reforma constitucional.

Com certeza, temos desafios na área da economia e a integração internacional, na área do atendimento social, onde devemos enfrentar algumas limitações e fazer tudo, como eu falei na conferência, na Escola do Partido, cientes de que o perigo para um Partido no poder é a corrupção, o burocratismo, a degeneração, especialmente nas condições duma economia de mercado. O Partido Comunista do Vietnã exige ele próprio uma constante autorrenovação, autorretificação e luta energicamente contra o oportunismo, o individualismo, a degradação em suas fileiras e em todo o sistema político.

OS VÍNCULOS BILATERAIS

Durante a estada na Ilha, Nguyen Phu Trong manifestou que as relações entre Cuba e o Vietnã são muito boas, um símbolo da época. Como são os vínculos entre ambos os partidos, especificamente, e que projetos de cooperação estão previsto após esta visita?

Ambos os partidos são o produto de processos revolucionários e da fusão de diversas organizações políticas, é um ponto em que Cuba e o Vietnã concordamos.

Hoje, nos dois países há um sistema de um único partido. Tanto Cuba quanto o Vietnã se desenvolvem pelo caminho do socialismo. Continuamos o legado dos antecessores, em combinação com o marxismo-leninismo. Somos dois povos firmes, de muita coragem e bravura na luta. Nossos partidos estabeleceram, muito cedo, laços de amizade, solidariedade e cooperação. E continuamos a mesma lógica, defender nossas respectivas revoluções. Portanto, nossa união é muito estreita.

Desde muito cedo, tivemos intercâmbios de experiências de trabalho, de direção, assim como cooperamos uns com os outros em diferentes foros e organismos internacionais, apoiando as causas mútuas. Em 2011, em ambos os países se realizaram os Congressos do Partido, e ao concluir o nosso enviamos um funcionário para que informasse sobre os resultados. O companheiro Raúl também se tinha oferecido para enviar alguém, fazer a mesma coisa.

Neste momento, o Vietnã tem a política de Renovação, e Cuba está aplicando sua estratégia de atualização do modelo econômico. Ambos vamos pelo caminho socialista. Temos muitas similitudes, embora existam condições e particularidade históricas de cada país e, portanto, não há nenhuma inconveniência para o melhor desenvolvimento das relações entre os dois partidos.

Durante nossa estada adotamos o acordo de intensificar o intercâmbio de delegações, assim como os encontros bilaterais e a troca de experiências. Vamos organizar seminários, oficinas entre os dois países e os dois partidos.

Desejamos continuar estreitando essa amizade, essa compreensão mútua e respeitosa, para fortalecer essa relação de irmandade, dando passos bem sólidos no caminho que temos ambas as nações, na luta pela independência nacional e o socialismo.
 

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