Granma Internacional Digital
VERSÃO SÓ TEXTO

Havana. Cuba. Ano 15 - Segunda-feira, 6 de Fevereiro
 de 2012


FIDEL LANÇA DOIS VOLUMES DE "GUERRILLERO DEL TIEMPO"
"Nosso dever é lutar até o último minuto"

Arleen Rodríguez Derivet e Rosa Miriam Elizalde

"BOA TARDE", cumprimentou alegremente Fidel Castro o auditório, e com essas palavras mágicas teve início, num dos salões do Palácio das Convenções, de Havana, o lançamento do livro de memórias do líder da Revolução cubana, Fidel Castro Ruz: Guerrillero del tiempo (Guerrilheiro do tempo), dois volumes das conversas mantidas com a escritora e jornalista Katiuska Blanco.

No mesmo tom risonho, Fidel alertou: "Vão falar-lhe de dois livros que vocês nem tiveram notícia". São, efetivamente, dois volumes que começam com as primeiras recordações da infância do líder e acabam em dezembro de 1958, prévio ao triunfo da Revolução. Somam quase mil páginas nas quais "eu tive algum envolvimento", graceja o comandante, e esse tom distendido animou todo o encontro, que se prolongou quase seis horas e ao menos uma com o comandante em pé, saudando pessoalmente um bom número de participantes, entre eles antigos companheiros de luta do quartel Moncada e do iate Granma, e os familiares dos Cinco cubanos presos nos Estados Unidos.

Fidel envergava um leve casaco esportivo negro sobre uma camisa xadrez, predominantemente de cor azul. A expressão de seu rosto reflete as emoções que lhe inspiram as palavras e anedotas que vão reconstruindo os apresentadores de cada volume desta edição, o ministro da Cultura, Abel Prieto e o presidente da União dos Escritores e Artistas de Cuba Miguel Barnet. As vezes, erguia as sobrancelhas e brilhavam seus olhos, quando Abel, por exemplo, lembrava passagens da infância em Birán, ou ria sem mais preâmbulo, por exemplo, quando Miguel Barnet evocava as palavras de Che Guevara sobre o desembarque do iate Granma: "Foi um naufrágio".

Realmente, a razão pela qual ele estava ali e que repetiu de diversas formas, durante o encontro, responde a uma única pergunta: "Em que mais posso ajudar?". E se houvesse que escolher uma única frase que expresse uma ideia de aonde nos levará este livro — uma jóia da edição e a impressão da casa editora Abril e a tipografia Federico Engels, com fotografias e designs de Ernesto Rancaño, autor da capa — talvez possa servir esta que, no decurso das conversações, ele disse a Katiuska: "Prefiro o velho relógio, os velhos óculos, as velhas botas, e em política, tudo o novo".

Enquanto Katiuska apresenta brevemente as edições e intervêm os apresentadores, em alguns momentos Fidel se mostra tão empolgado como nós, como se de repente, após aquela viagem apertada pelas páginas dos dois livros, enxergasse no seu conjunto, "como em um filme em terceira dimensão" — diria Barnet —, sua própria vida. "É que ressalta todo o valor do que se fez, porém o que mais me interessa é ser útil."

Fidel comenta que lê centenas de despachos de agências todos os dias. Literalmente consome toda a informação que lhe chega. Acompanha com particular detalhe a situação na Venezuela, que em 4 de fevereiro comemorou o 20º aniversário da revolta militar comandada por Hugo Chávez: "Nunca ninguém fez mais pelo povo venezuelano, que o Movimento Bolivariano", comenta.

De muitas coisas falou Fidel com entusiasta disposição ao diálogo, a partir dos comentários e perguntas do auditório: das admiráveis lutas que hoje estão travando os estudantes latino-americanos e do mundo por seus direitos; de sua profunda oposição ao ensino pago; de seu firme credo de que os conhecimentos adquiridos e desenvolvidos pelo nosso país podem multiplicar as produções, os bens e o nível de vida da sociedade, inclusive na agricultura; de que todos estávamos errados ao crer que no socialismo os problemas econômicos estavam resolvidos; dos prêmios Nobel que raramente premiam os que acreditam em um sistema social mais justo; das surpreendentes novidades da ciência e a tecnologia; do arriscado gás extraído do xisto e as fabulosas perspectivas da nanotecnologia; das visitas de líderes mundiais e a impressão que lhe provocaram; das ilhas Malvinas, "esse pedaço de terra arrebatado à Argentina", onde agora os britânicos pretendem extrair petróleo e, naturalmente, das terríveis ameaças que pairam sobre a Síria e o Irã, enquanto os Estados Unidos e Europa pretendem convencer a Rússia com a ridícula ideia de que o escudo anti-mísseis é para proteger esse país das ameaças do Irã e da Coreia do Norte.

Para ele, se torna imprescindível estar a par dos acontecimentos, e reconhecer que "já não há espaço só para os interesses nacionais, se não estão incluídos nos interesses mundiais... Nosso dever é lutarmos até o último minuto, por nosso país, por nosso planeta e pela humanidade".

FALANDO DOS CINCO E COM OS CINCO

Em duas ocasiões, Fidel falou de Juan Cristóbal, de Romain Rolland, como uma de suas leituras favoritas. A primeira foi ao descobrir na fila atrás de seus companheiros do ataque ao quartel Moncada, as mães dos Cinco. Aquela novela foi uma de suas leituras na prisão. Foi uma das que sobreviveu à censura do chefe do cárcere, um "indivíduo odioso, imbécil, ladrão... "a tal ponto que lhe proibiu livros como Stalin, de Trotsky e em troca deixou passar O Capital, de Karl Marx.

"Aqui estamos vendo os familiares dos Cinco. É admirável o que conseguiram resistir esses homens", exclamou com admiração. E embora dissesse que não havia comparação entre os quase dois anos em que ele esteve preso com os 13 anos que levam confinados Gerardo, Ramón, Fernando, Antonio e inclusive René — ao que não lhe permitem voltar a Cuba — percebeu-se que Fidel está particularmente interessado na situação atual deles.

"Agora mesmo estava lendo o que escreveu Antonio, acerca da transferência de prisão. "Como é que ele está?", perguntou com marcante interesse, pois ele, também como preso político sofreu atropelos e até ameaças de morte.

Mirta, a mãe de Tony, lhe explicou que era uma mudança à que tinha direito e que ele havia pedido, após ter-lhe sido reduzida a condenação. Ele esteve 13 anos na prisão de máxima segurança de Florence, Colorado — tão difícil que é chamada de "Alcatraz das Rochosas"—, o que obrigava os familiares a pegarem três aviões, para poder visitá-lo. Agora está em Marianna, Flórida, a mesma onde esteve René até sua saída, em 7 de outubro passado.

"Foi muito favorável, devido à mudança do clima e porque agora só tenho que pegar um avião e depois viajar por auto-estrada", explicou a mãe do poeta prisioneiro, uma mulher admirável que neste ano completa 80 de idade e já estava se ressentindo das viagens esgotantes para visitar o filho. Quanto a ele, comentou que tem muito bom ânimo e que pediu transmitir a todos o agradecimento pelo apoio à luta pela causa dos Cinco, que entrou em uma fase crucial e decisiva.

"Tal como seus companheiros, se mantém com a mesma fidelidade, resistência, bom ânimo e o desejo de que, finalmente, chegue a vitória", disse Mirta.

A VISÃO ÍNTIMA DA HISTÓRIA

A escritora Graziella Pogolotti, presidenta da Fundação Alejo Carpentier, iniciou a rodada de perguntas. Um dos problemas da aproximação à História —assim em maiúsculos — é que se acompanha a sequência dos grandes acontecimentos, mas quase nunca os meandros, aqueles detalhes íntimos, a memória, essas coisas que não só tocam a mente, mas sim o coração. Propôs ao líder da Revolução que continuasse escrevendo, que continuasse esta saga testemunhal e que contasse mais de sua experiência como lutador e o intercâmbio com grandes personalidades do mundo.

"Tenho que aproveitar agora, porque a memória se gasta". Mais uma vez, veio à tona o magnífico humor dessa tarde, e prometeu: "Estou disposto a fazer tudo o possível por transmitir o que recordo bem... Estive expressando todas as ideias que tinha e os sentimentos pelos que atravessei". Mais em diante acrescentou: "Adquiro consciência da importância de relatar tudo isso para transmiti-lo, de modo que seja útil".

Chamou a atenção sobre a enorme revolução que se produziu no pensamento, em uma época marcada, aliás, por avanços científicos inusitados. "Internet é um instrumento revolucionário que permite receber e transmitir ideias, nos dois sentidos, algo que devemos saber usar". E comentou acerca do enorme potencial que o país tem para participar nestes desenvolvimentos. Por exemplo, só a Universidade das Ciências Informáticas, entre estudantes e docentes, possui 14 mil pessoas em suas salas de aula. "Estamos aproveitando esses valores e recursos para transmitir ideias?", perguntou.

Em um diálogo com a presidente da Federação dos Estudantes do Ensino Médio, Mirthia Brossard, Fidel disse que "devemos apoiar as ideias da jovem chilena — Camila Vallejo — no sentido de lutar para que a educação seja igual para todos. Que não seja só uma educação geral e gratuita, mas sim preocupar-nos por aquilo que se ensina". E acrescentou: "A educação é a luta contra o instinto. Todos os instintos conduzem ao egoísmo, mas só a consciência nos pode levar à justiça. Esta não é só uma fórmula prática, mas é, teoricamente, a única aceitável".

O pintor Alexis Leyva Machado (Kcho) comentou-lhe, já quase no fechamento do intercâmbio, que este livro expressa a forma em que Fidel se converteu em um líder de categoria mundial, não pela força, mas sim por sua inteligência. Quando o artista pediu a Fidel que expressasse uma recomendação para lutar, em meio deste mundo louco que nos coube, o comandante respondeu: "Você mesmo disse, faz falta, mais do que um ato de valentia, um ato de inteligência".

O líder da Revolução lamentou que se esgotasse o tempo, mas o encontro encerrou, tal e como começou, com risos: "¡Que pena, isto vai acabar! Senti-me muito feliz, mas eu sou um colaborador dos médicos (os que o atendem). E saibam que o faço, não como um ato de valentia, mas sim de inteligência".


CONVERSAÇÕES À MARGEM

O valor de Sara

DIANA Balboa, companheira de Sara González, cujas cinzas foram esparcidas, na manhã do sábado, 4 de fevereiro, nas águas da baía de Havana, subiu ao estrado, a pedido de Fidel, quem a abraçou e elogiou sua consagração ao cuidado da famosa trovadora cubana, durante os intensos meses que durou sua batalha contra o câncer.

"Sei que você foi muito valente", disse Fidel, ao que ela respondeu: "Valente foi ela, comandante. Ela foi muito valente e enquanto teve lucidez, se manteve preocupada por seu trabalho, por sua condição de cubana e patriota e partiu tranquila, não teve um fim trágico."

Trocando olhares, Diana quis transmitir ao líder da Revolução que Sara ficou muito feliz quando soube, por parte do dr. Cepero, diretor do Centro de Pesquisas Médico-Cirúrgicas (Cimeq) e o professor Elliot, médico de cabeceira, a permanente preocupação pessoal de Fidel por ela. "Eu só queria saber que não lhe faltasse nada", foi a resposta de Fidel.

O resto, como todo o essencial, não era visível. Segundo Diana, "a conversa se centrou mais na ternura do que nas palavras. Eu senti essa ternura e uma emoção muito profunda em seu olhar. Todo mundo sabe o quanto se queriam mutuamente Fidel e Sara".

Com Antônio ou com René?

JÁ Fidel e os convidados estavam saindo, quando se recebeu uma ligação de René ao celular de sua esposa Olga, e esta entregou o telefone ao líder da Revolução. Inicialmente, Fidel achou que era Antônio e depois de enviar-lhe um fortíssimo abraço, lhe perguntou por suas leituras e "como vai a poesia". Com certeza, seu interlocutor lhe explicou que não era o poeta porque Fidel disse logo: "Ah, caramba, foi uma confusão! Pensamos muito em vocês e particularmente em você, vai receber dois livros que vai ler em meio dia", lhe comentou, entre outras coisas. Junto a Fidel, todos tentavam escutar a voz do outro lado, mas só conseguimos escutar as últimas palavras de René: "Se cuida, comandante, e nos vemos lá".

"Um fortíssimo abraço", reiterou ele. Depois, indagaria com Olga se alguém o acompanha nesta obrigada retenção no território estadunidense. Ela comentou que o visitam os familiares que recebem visto, mas que em sua "liberdade vigiada", ele tem muitas restrições, a pior de todas, a negativa a conceder-lhe o visto a ela para que possa acompanhá-lo.

"Não lhe deram visto nem uma única vez?", quis saber Fidel. "Visto não, comandante. Sempre o negaram, desde que me deportaram no ano 2000. Adriana tampouco recebeu visto para visitar Gerardo, desde que está preso".

Ao despedi-las, Fidel insistiu em sua convicção de que na luta pelo retorno dos Cinco "vamos ter sucesso".

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Raúl despede a presidenta Dilma Rousseff

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, despediu na quarta-feira, 1º de fevereiro, de manhã, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, no aeroporto "José Martí", em Havana, que partiu rumo à República do Haiti.

Durante a visita oficial, tiveram largas e frutíferas conversações e assinaram importantes acordos bilaterais nos setores econômico e comercial.

Marcou presença na despedida, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla.

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Sara sempre ser a voz da vitria

 Morreu em Havana a destacada trovadora cubana

Pedro de la Hoz

Sara Gonzlez, uma das vozes paradigmticas da trova cubana no ltimo meio sculo, morreu na tarde da quarta-feira, dia 1o, em Havana aos 60 anos, vtima de cncer.

Vrias geraes de cubanos acharam estmulo e inspirao numa de suas emblemticas criaes, Girn, la victoria. Essa cano, junto a Su nombre es pueblo, de Eduardo Ramos, que ela tambm interpretava, vibraram ao longo de inmeras jornadas de afirmao patritica e revolucionria.

Trovadora de pura cepa, Sara cantou ao amor, a amizade, a esperana, a solidariedade e aos mais ntimos sentimentos humanos.

Por seus mritos artsticos e revolucionrios obteve vrios reconhecimentos, mas sentia particular orgulho por ter recebido a Ordem Flix Varela em 20 de outubro de 2011 das mos do comandante-em-chefe Fidel.

Formada na frgua do Grupo de Experimentao Sonora do Icaic, fundadora do Movimento da Nova Trova, deixa um legado de excelentes gravaes que vo desde os textos martianos musicalizados a incios da dcada de 1970, pelos dias em que seu talento era descoberto na Ilha pelo tema da srie Los comandos del silencio, at as duas entregas de Cantos de mujer, nos quais vindicou as contribuies das compositoras cubanas msica popular.

Fora de Cuba, Sara tmabm era muito apreciada pelo pblico e pela crtica no Mxico, Espanha, Angola, Itlia, Venezuela, Repblica Dominicana, Porto Rico, Chile, Argentina, Estados Unidos, Brasil, Canad, Alemanha e Austrlia.

Em 2011, ainda quando pela doena teve que interromper sua intensa programao artstica, no deixou de fazer planos e de promover seus colegas, como o fez at o fim com um de seus projetos mais queridos, o Jardim da Gorda.

Por deciso prpria, seus restos mortais sero incinerados. O povo poder render-lhe tributo na quinta-feira, dia 3, entre as 9h e as 19h na sede do Instituto Cubano da Msica (Ruas 15 e F, Vedado), onde sero expostas suas cinzas.
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Raúl recebe presidente do Brasil

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz recebeu na manhã da terça-feira, 31 de janeiro, a Ex.ma s.ra Dilma Rousseff, presidente da República Federativa do Brasil, que realiza uma visita oficial a Cuba.

Durante o encontro, ambos os mandatários intercambiaram opiniões sobre o excelente estado das relações bilaterais, destacaram a importância da posta em andamento da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) para enfrentar os grandes desafios dos países da região, e conversaram sobre outros temas do âmbito internacional.

Acompanharam a presidente brasileira o ministro das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota; o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia e o embaixador brasileiro em Havana, José Eduardo Martins Felício. Pela parte cubana, marcaram presença o vice-presidente primeiro dos Conselhos de Estado e de Ministros, José Ramón Machado Ventura; o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla e o embaixador cubano em Brasília, Carlos Zamora Rodríguez.

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Dilma e Raúl visitam obras do porto de Mariel

● Ao concluírem as obras de construção, o porto de Mariel se converterá na principal porta de entrada e saída do comércio exterior cubano

Yaima Puig Meneses

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz acompanhou, na tarde da terça-feira, 31 de janeiro, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff , até as instalações do porto de Mariel. Ali receberam uma explicação acerca do andamento das obras de remodelação e construção e a importância estratégica deste futuro terminal de contêineres, não somente a favor de Cuba, mas também para o comércio da região.

O financiamento desta obra é coberto, parcialmente, com um crédito outorgado pelo governo do Brasil e é executado pela empresa brasileira COI e uma empresa construtora cubana.

Segundo informações, uma parte das instalações deve iniciar suas operações em 2013, enquanto continuarão as obras de remodelação e alargamento. A construção deste terminal permitirá que possam atracar em Cuba grandes navios de até 15 metros de calado, os que atualmente não podem entrar no porto de Havana. Na atualidade, os navios porta-contêineres são cada vez maiores, pois isso permite às empresas de navegação diminuir o custo dos fretes, ao aumentar a possibilidade de carga.

Ao concluir as explicações, Dilma e Raúl visitaram a área onde se constrói o cais, observando os trabalhos de enterramento de estacas, as quais sustentarão a estrutura do cais, assim como trabalhos de dragagem da baía.

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Brasil destaca sua relação com Cuba

Laura Bécquer Paseiro

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, iniciou a segunda jornada da visita oficial que realiza a Cuba, prestando homenagem ao Herói Nacional José Martí. A presidente colocou uma oferenda floral no monumento na Praça da Revolução desta capital, acompanhada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Rogelio Sierra.

Ali, em um à parte com a imprensa, sublinhou que a colaboração em diversas esferas, especificamente a econômica, é "a melhor forma que o Brasil tem de combater o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba".

Nesse sentido, rejeitou essa política que "não gera benefícios", e frisou que seu governo tem o compromisso de ajudar em todo o processo de atualização econômica que Cuba leva adiante.

Rousseff destacou que o Brasil participa de diversas iniciativas na Ilha "através de vários programas de financiamento que incluem equipamento técnico para a produção de alimentos.

A chefa de Estado do gigante sul-americano se referiu, ainda, à contribuição brasileira na construção do porto de Mariel, no ocidente do país, uma cooperação que considerou estratégica.

Ainda, qualificou esse projeto de necessário sistema logístico para a exportação de bens produzidos na Ilha maior das Antilhas, o qual contribuirá ao desenvolvimento da economia nacional; e colocou estas ações como parte da política de cooperação traçada por seu país, para "auxiliar os processos de desenvolvimento de Cuba".

Da mesma forma, assinalou que sua obrigação como presidente é assumir e estabelecer esta posição que "alenta e manifesta o crescente e reconhecido poder econômico do Brasil".

O MUNDO PRECISA SE COMPROMETER

Rousseff insistiu no compromisso com a região latino-americana e caribenha, onde é imprescindível, mais do que noutras latitudes, manter uma política de cooperação que responda a interesses comuns. Nesse sentido, qualificou a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) como "um dos espaços mais importantes da região".

Quanto ao tema dos direitos humanos, Rousseff declarou que concordava em tratar do assunto a partir de "una perspectiva multilateral". Em todo o caso, "vamos começar a falar de direitos humanos no Brasil, vamos falar de direitos humanos nos Estados Unidos, com respeito a Guantánamo (disse, referindo-se ao cárcere na ilegal base naval), vamos começar a falar de direitos humanos em todos os lugares", precisou.

Desta forma, sustentou que o mundo necessita comprometer-se em geral, e não é possível converter os direitos humanos em uma arma de combate político. "O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar".

A primeira visita oficial de Dilma Rousseff a Cuba é mais um exemplo da irmandade entre ambos os países, na qual se verificaram os avanços da cooperação no contexto do aprofundamento da integração latino-americana e caribenha.

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Dilma Rousseff iniciou visita a Cuba

Laura Bcquer Paseiro

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, iniciou na tarde da segunda-feira, dia 30, uma visita oficial a Cuba, na qual se consolidaro os nexos bilaterais existentes em diversas reas, especialmente na econmica e na comercial.

Rousseff foi recebida no aeroporto internacional Jos Mart pelo ministro das Relaes Exteriores, Bruno Rodrguez Parrilla.

Cuba e o Brasil estabeleceram relaes em nvel consular em 1906, e diplomtico em 1943. Foram interrompidas em 13 de maio de 1964 e restabeleceram-se em 26 de junho de 1986.

Atualmente, nossos vnculos como quinto maior pas do mundo so excelentes. Vale salientar que durante o governo de Luiz Incio Lula da Silva, o Brasil se converteu no segundo parceiro de Cuba na Amrica Latina.

Dilma Rousseff assumiu a presidncia em 1o de janeiro de 2011, convertendo-se na primeira mulher que ocupa esse cargo na histria do Brasil.

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PRIMEIRA CONFERÊNCIA NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Profundo processo democrático
Assim qualificou o primeiro-secretário do Comitê Central do PCC, Raúl Castro, o debate acontecido desde a participação popular na discussão das Diretrizes aprovadas no 6º Congresso até as amplas e intensas análises desta Primeira Conferência da organização

"OS objetivos aprovados aqui foram discutidos no país todo, com um profundo espírito democrático", ressaltou o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC), general-de-exército Raúl Castro Ruz na sessão de encerramento da Primeira Conferência Nacional da organização política, efetuada no domingo 29, no Palácio das Convenções de Havana.

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros destacou, também, o amplo intercâmbio de critérios que caracterizou o trabalho nas comissões, durante o primeiro dia do evento. E recalcou, não obstante, que o principal desafio não está no acordado, mas sim em como será implementado.

Com a condução do segundo-secretário do Partido, José Ramón Machado Ventura, os delegados aprovaram, pelo voto unânime, os ditames apresentados pelas quatro comissões, e adotaram o acordo de facultar o Comitê Central do Partido, no período do presente mandato, para cooptar até 20% do número de seus integrantes aprovados pelo 6º Congresso.

Na Comissão nº 1, que tratou sobre o funcionamento, métodos e estilo de trabalho do Partido, debateu-se acerca da importância de concentrar o trabalho da militância na implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social; o fortalecimento das ações contra a indisciplina social, as ilegalidades, a corrupção e outras condutas negativas; assim como a exigência da devida atenção a todas as opiniões dos cidadãos em qualquer palco.

Por sua parte, a Comissão nº 2, dedicada ao trabalho político e ideológico, tratou, entre outros assuntos essenciais, do fortalecimento da unidade nacional em torno ao Partido e a Revolução, para o qual se torna imprescindível estreitar o vínculo permanente com as massas e fortalecer o trabalho pessoa a pessoa, com formas criativas, assim como acrescentar a participação consciente, protagônica e transformadora do povo na implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social.

Que a política de promoção de dirigentes seja melhor reflexo da sociedade cubana, sempre sobre a base do mérito e dos resultados; a promoção progressiva e constante de mulheres, negros, mestiços e jovens nos cargos de direção, e a necessidade de renová-los paulatinamente e definir os limites de permanência neles, foram alguns dos assuntos amplamente debatidos na Comissão No. 3, dedicada à política de promoção dos dirigentes.

Mais de 65.380 propostas recebeu o capítulo 4 do documento base a esta Primeira Conferência Nacional, dedicado ao relacionamento do Partido com a União dos Jovens Comunistas e as organizações de massas, o que gerou que, dos 17 objetivos previstos, 16 deles fossem reformulados. Os números bastariam para ilustrar com suficiente nitidez o caráter democrático e amplamente participativo do processo. Porém, vão ainda mais longe. E é que este segmento da Conferência tocou o estratégico tema da continuidade da Revolução, que se sustenta justamente no vínculo do Partido com a Juventude e as organizações de massas, no qual se centraram muitas das intervenções.

Ainda, foi aprovada a Resolução final desta Primeira Conferência que, lida pelo funcionário do Bureau Político Miguel Díaz-Canel Bermúdez, sintetizou os aspectos fundamentais que nortearão o trabalho da organização política.

O documento atualiza os conceitos básicos que caracterizarão as relações do PCC com a União dos Jovens Comunistas e com as organizações de massas e define as ações para eliminar a tendência do Partido de substituir funções e decisões que cabem ao Estado, ao governo e às instituições administrativas.

Durante a abertura da Conferência, o segundo-secretário do Comitê Central do PCC, José Ramón Machado Ventura, advogou a trabalhar com maior responsabilidade e olhando para o futuro. E reafirmou a necessidade de despojar-se de esquemas mentais obsoletos, com o propósito de fortalecer o trabalho do Partido.

"Não se trata de uma tarefa conjuntural, disse, mas sim algo que deve constituir parte essencial e permanente da atuação dos militantes, como garantia de que a agrupação partidária sempre estará à altura dos desafios de cada momento histórico".

"Resumir as opiniões e critérios emitidos nos debates dos militantes, tornar possível que se transformem em objetivos de trabalho e garantir o cumprimento dos acordos do 6º Congresso do PCC, especialmente das Diretrizes da Política Econômica e Social, constituem missões desta Conferência", assegurou.

Machado Ventura garantiu que ainda resta muito por fazer, e informou que este encontro foi precedido pela análise profunda do documento base, publicado em outubro de 2011, discutido por militantes do Partido e da União dos Jovens Comunistas.

O ato inaugural foi dedicado ao 159º aniversário do natalício do Apóstolo José Martí, baluarte do processo revolucionário desde seus inícios e reconhecido pelo comandante-em-chefe Fidel Castro, como autor intelectual do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953.

A Conferência foi convocada pelo 6º Congresso do Partido, efetuado em abril do ano passado.
 


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